Compreender e dominar os descritores de leitura e interpretação de texto é essencial para desenvolver a competência leitora dos alunos do 9º ano. Vamos explorar cada descritor de forma didática, com exemplos e explicações que facilitam a compreensão.
O primeiro descritor, D1 - Localizar informações explícitas em um texto, exige que o leitor encontre dados que estão claramente escritos no texto. Trata-se de identificar nomes, datas, lugares ou qualquer elemento textual que não necessite de interpretação adicional.
Por exemplo, em uma notícia que menciona: "O evento ocorrerá no dia 20 de dezembro, às 18 horas, no ginásio municipal", localizar a data e o local do evento é uma aplicação direta deste descritor. É como procurar um "tesouro" que está à vista, bastando atenção para identificá-lo.

Por que é importante?
Facilita a compreensão do texto.
Permite encontrar detalhes como nomes, datas, locais e números.
É útil para responder perguntas objetivas.
Imagine que você está procurando uma receita especial no livro de culinária da sua avó. Para encontrar a receita certa, você precisa localizar palavras-chave como "bolo de chocolate", "ingredientes" e "modo de preparo". É exatamente isso que fazemos quando lemos qualquer tipo de texto: buscamos as informações que são importantes para entender o que está sendo dito.
#FICAADICA
Sublinhe ou destaque: Ao ler, marque as palavras-chave e as frases que respondem às suas perguntas. É como destacar as peças mais importantes do quebra-cabeça.
Faça anotações: Anote as ideias principais com suas próprias palavras. Isso ajuda a fixar o conteúdo na memória e facilita a revisão.
Faça perguntas: Quem? O quê? Quando? Onde? Como? Por quê? Essas perguntas guiam sua leitura e ajudam a encontrar as informações mais relevantes.
Relacione as informações: Como as diferentes partes do texto se conectam? Essa conexão forma um significado mais completo.
Diferencie explícito de implícito:
Explícito: Está escrito de forma clara e direta no texto.
Implícito: Não está escrito diretamente, mas pode ser inferido a partir das informações que estão no texto.
Cuidado! Questões que pedem por informações implícitas podem te levar a marcar a alternativa errada.
CONHECENDO O DESCRITOR
D1 - Localizar informações explícitas em um texto: Encontrar as informações que estão claramente escritas no texto, sem exigir que o leitor faça deduções.
Já o D3 - Inferir o sentido de uma palavra ou expressão envolve entender uma palavra ou expressão a partir do contexto em que ela aparece. Imagine que um texto diz: "João estava radiante com a notícia." Se você não conhece a palavra "radiante", o contexto indica que ela está relacionada à felicidade ou entusiasmo, pois sugere algo positivo sobre a reação de João.
Esse descritor ensina a importância de observar o que está ao redor de uma palavra para compreendê-la sem depender apenas de um dicionário.

Por que é importante?
Compreensão profunda: Permite entender as entrelinhas do texto, captando nuances de significado e mensagens implícitas que não estão expressas diretamente.
Desenvolvimento do pensamento crítico: Estimula a análise, a relação de informações e a formulação de conclusões lógicas, fortalecendo seu senso crítico.
Leitura autônoma: Capacita você a interpretar textos de forma independente, sem depender apenas de informações explícitas.
Melhor desempenho em provas e vestibulares: A habilidade de inferir é fundamental para resolver questões de interpretação textual, garantindo um melhor desempenho em provas e vestibulares.
#FICAADICA
Leitura atenta e reflexiva: Leia o texto com atenção, buscando compreender o sentido global e os detalhes.
Identificação de palavras-chave: Identifique as palavras ou expressões que precisam ser interpretadas e que podem conter pistas para a inferência.
Análise do contexto: Observe as palavras e frases que cercam a palavra-chave, buscando pistas sobre seu significado.
Conhecimento de mundo: Utilize seu conhecimento de mundo para conectar as informações do texto com seus conhecimentos prévios sobre o assunto.
Dedução lógica: Com base nas pistas contextuais e em seu conhecimento, formule hipóteses sobre o significado da palavra ou expressão.
Teste de hipóteses: Verifique se o significado que você deduziu faz sentido dentro do contexto do texto.
Prática constante: A inferência é uma habilidade que se desenvolve com a prática. Leia diferentes tipos de textos e exercite a inferência de significados.
Consulta ao dicionário: Utilize o dicionário para confirmar o significado de palavras desconhecidas e ampliar seu vocabulário.
Anotações: Anote palavras e expressões que você não conhece e busque seus significados posteriormente.
CONHECENDO O DESCRITOR
D3 - Inferir o sentido de uma palavra ou expressão: Compreender o significado de uma palavra ou expressão a partir do contexto em que ela está inserida.
O D4 - Inferir uma informação implícita em um texto é um desafio que vai além do explícito. Aqui, o leitor deve deduzir algo que o autor não disse diretamente, mas que deixou implícito.
Por exemplo, se um texto afirma: "Maria vestiu o casaco e saiu correndo para a escola, levando um guarda-chuva", podemos inferir que o tempo estava chuvoso, mesmo sem essa informação estar declarada. Esse descritor ajuda o aluno a "ler nas entrelinhas", desenvolvendo uma leitura mais crítica e analítica.

Por que é importante?
Compreender a totalidade do texto: Através da identificação de pressupostos e subentendidos, o leitor consegue estabelecer uma conexão mais profunda com o texto, desvendando as entrelinhas e compreendendo a mensagem em sua completude.
Desenvolver o senso crítico: A capacidade de inferir informações implícitas aguça o senso crítico do leitor, permitindo que ele questione o texto, identifique a intencionalidade do autor e avalie a veracidade das informações apresentadas.
Ampliar a capacidade de interpretação: Ao dominar essa habilidade, o leitor expande sua capacidade de interpretação, compreendendo as nuances do texto, seus significados implícitos e as relações entre as diferentes ideias apresentadas.
Melhorar o desempenho em avaliações: Em diversas avaliações, como o ENEM e vestibulares, a habilidade de inferir informações implícitas é fundamental para a resolução de questões de interpretação textual.
#FICAADICA
Mergulhe no texto: Realize uma leitura atenta e reflexiva do texto, buscando compreender sua essência e os detalhes que possam fornecer pistas sobre as informações implícitas.
Analise o contexto: Considere o contexto em que o texto foi produzido, o objetivo do autor, o público-alvo e a época em que foi escrito. Essas informações podem ser valiosas para a interpretação das entrelinhas.
Conecte as ideias: Estabeleça relações lógicas entre as informações explícitas presentes no texto, buscando conexões que possibilitem a inferência de novas informações.
Atente-se aos detalhes: Observe com atenção as palavras, expressões e frases do texto, pois elas podem conter pistas importantes sobre as informações implícitas.
Use seu conhecimento prévio: Recorra aos seus conhecimentos sobre o mundo, sobre o assunto tratado no texto e sobre a língua portuguesa para facilitar a interpretação das entrelinhas.
Questione o texto: Faça perguntas sobre o texto, buscando identificar a intencionalidade do autor e as informações que ele deseja transmitir de forma implícita.
Pratique a leitura: A prática leva à perfeição! Leia diferentes tipos de textos, como notícias, artigos de opinião, poemas e contos, exercitando sua capacidade de inferir informações implícitas.
CONHECENDO O DESCRITOR
D4 - Inferir uma informação implícita em um texto: Extrair informações que não estão diretamente escritas no texto, mas que podem ser deduzidas a partir das pistas fornecidas pelo autor.
O D6 - Identificar o tema de um texto exige que o leitor reconheça a ideia central que une todas as informações apresentadas. Imagine ler uma reportagem sobre o impacto do desmatamento na Amazônia.
Embora o texto traga detalhes como a redução da biodiversidade e o aumento da temperatura, o tema principal é "os efeitos do desmatamento". Aqui, é importante entender que o tema é como o "coração" do texto, sustentando tudo o que é discutido.

Por que é importante?
Compreensão aprofundada: O tema é a espinha dorsal do texto, sua ideia central. Identificá-lo garante a compreensão da mensagem principal e do propósito do autor.
Interpretação precisa: Ao entender o tema, é possível conectar as ideias apresentadas no texto, compreendendo suas nuances e extraindo o significado completo.
Desempenho em avaliações: A habilidade de identificar o tema é frequentemente cobrada em provas e vestibulares, sendo essencial para um bom desempenho.
Desenvolvimento do pensamento crítico: A identificação do tema exercita a capacidade de análise e síntese, habilidades cruciais para o desenvolvimento do pensamento crítico.
#FICAADICA
Leitura atenta: Leia o texto com calma e atenção, buscando compreender o sentido geral. Releia se necessário.
Identificação da ideia principal de cada parágrafo: Resuma a ideia central de cada parágrafo em uma frase. Isso ajuda a construir o panorama geral do texto.
Palavras-chave: Destaque palavras ou expressões que se repetem ou que parecem centrais para o desenvolvimento do assunto.
Análise do título e da introdução: O título e a introdução geralmente fornecem pistas importantes sobre o tema.
Perguntas-chave: Sobre o que o texto fala principalmente? Qual a mensagem central que o autor quer transmitir?
Síntese: Após a leitura, tente resumir o texto em uma única frase que expresse o tema central.
Diferenças entre título, assunto e tema
Título: É o nome dado ao texto, buscando atrair a atenção do leitor e geralmente indicando o assunto abordado.
Assunto: É o tema geral abordado no texto, mais amplo e abrangente.
Tema: É o recorte específico dentro do assunto, a ideia central desenvolvida pelo autor.
CONHECENDO O DESCRITOR
D6 - Identificar o tema de um texto: Reconhecer a ideia central do texto, o assunto principal que está sendo abordado.
Por fim, o D14 - Distinguir um fato da opinião relativa a esse fato é essencial para desenvolver a capacidade crítica dos alunos. Um fato é algo verificável, como "O Brasil é o maior produtor de café do mundo."
Já uma opinião é um ponto de vista, como "O café brasileiro é o melhor do mundo." Ensinar essa distinção ajuda os alunos a reconhecerem quando um texto apresenta informações objetivas ou tenta persuadi-los com argumentos subjetivos.

Por que é importante?
Desenvolvimento do pensamento crítico: Ao distinguir fatos de opiniões, é possível analisar as informações de forma objetiva, separando o que é comprovado do que é apenas uma interpretação.
Melhora na compreensão textual: A diferenciação entre fatos e opiniões ajuda a entender a intenção do autor e a identificar possíveis vieses ou manipulações.
Tomada de decisões informadas: Ao basear decisões em fatos concretos, em vez de opiniões, é possível evitar erros e escolhas equivocadas.
Preparo para a vida em sociedade: Em um mundo com excesso de informações, é essencial saber discernir fatos de opiniões para formar uma visão própria e participar de debates de forma construtiva.
#FICAADICA
Verificabilidade: Pergunte-se: essa informação pode ser comprovada? Se a resposta for sim, é um fato. Se for uma interpretação ou julgamento, é uma opinião.
Objetividade vs. Subjetividade: Fatos são objetivos, descrevendo a realidade como ela é. Opiniões são subjetivas, expressando o ponto de vista de alguém.
Marcas linguísticas: Preste atenção em palavras e expressões que indicam opinião:
Adjetivos qualificativos: "ótimo", "péssimo", "interessante", "horrível".
Advérbios de modo: "claramente", "obviamente", "infelizmente".
Verbos de opinião: "acreditar", "achar", "considerar", "parecer".
Expressões de julgamento: "na minha opinião", "eu acredito que", "é importante ressaltar".
Contexto: Analise o contexto em que a informação está inserida. Em textos jornalísticos, espera-se mais fatos, enquanto em artigos de opinião, a predominância é de opiniões.
CONHECENDO O DESCRITOR
D14 - Distinguir um fato da opinião relativa a esse fato: Diferenciar entre o que é comprovadamente verdadeiro (fato) e o que representa um ponto de vista pessoal (opinião).
Compreender esses descritores não apenas ajuda os alunos a realizarem provas e atividades, mas também os prepara para a leitura crítica e consciente em diversas situações da vida cotidiana. Afinal, ler é mais do que decifrar palavras; é dialogar com o texto, interpretando, questionando e aprendendo com ele.
Fórum: Opinar, compartilhar e refletir
Promover a reflexão e a troca de ideias entre os alunos sobre os principais descritores de leitura e interpretação textual abordados na aula, incentivando a argumentação e a interação entre os participantes.
Instruções
Leitura Atenta: Releia o texto da aula "[AULA 1] Procedimentos de Leitura - 9º ano" com atenção, focando nos descritores D1, D3, D4, D6 e D14.
Escolha um Descritor: Selecione um dos descritores (D1, D3, D4, D6 ou D14) que mais chamou sua atenção ou que você considera mais desafiador.
Compartilhe sua Experiência: Escreva uma postagem no fórum respondendo aos seguintes questionamentos:
A) O que você entendeu sobre o descritor? B) Por que você acha que ele é importante para a leitura crítica? C) Compartilhe um exemplo prático de como você aplicaria esse descritor em um texto. D) Compartilhe um exemplo de texto onde se pode aplicar o descritor escolhido. E) Compartilhe uma dificuldade que você tem ao aplicar esse descritor.
Interaja com os Colegas: Comente a postagem de pelo menos dois colegas, trazendo um novo ponto de vista, complementando a ideia ou questionando de forma construtiva.
Reflexão Final: Após a interação com os colegas, faça uma reflexão final sobre o que você aprendeu com a atividade e como ela contribuiu para o seu desenvolvimento como leitor crítico.
Critérios de Avaliação:
Compreensão dos descritores de leitura.
Capacidade de reflexão e análise crítica.
Participação ativa e interação com os colegas no fórum.
Clareza e organização das ideias.
Capacidade de exemplificação e aplicação dos descritores.
Dica: Para enriquecer sua participação, traga exemplos do seu cotidiano, como situações em que você precisou localizar informações em um texto, inferir um significado ou diferenciar fato de opinião. Quanto mais concreta e reflexiva for sua postagem, mais significativa será sua participação!
PRATIQUE!
D1 - (Prova Brasil). Leia o texto abaixo:
A pipoca surgiu há mais de mil anos, na América, mas ninguém sabe ao certo como foi. Um nativo pode ter deixado grãos de milho perto do fogo e, de repente: POP! POP!, eles estouraram e viraram flocos brancos e fofos.
Que susto!
Quando os primeiros europeus chegaram ao continente americano, no século 15, eles conheceram a pipoca como um salgado feito de milho e usado pelos índios como alimento e enfeite de cabelo e colares.
Arqueólogos também encontraram sementes de milho de pipoca no Peru e no atual estado de Utah, nos Estados Unidos. Por isso, acreditam que ela já fazia parte da alimentação de vários povos da América no passado.
Disponível em: <www.recreionline.abril.com.br>
Questão 1. De acordo com esse texto, no século 15, chegaram ao continente americano os
A) nativos.
B) índios.
C) europeus.
D) arqueólogos.
D1 - Leia o texto abaixo e responda à questão.
Caipora
É um Mito do Brasil que os índios já conheciam desde a época do descobrimento. Índios e Jesuítas o chamavam de Caiçara, o protetor da caça e das matas.
Seus pés voltados para trás servem para despistar os caçadores, deixando-os sempre a seguir rastros falsos. Quem o vê, perde totalmente o rumo, e não sabe achar o caminho de volta. É impossível capturá-lo. Para atrair suas vítimas, ele, às vezes, chama as pessoas com gritos que imitam a voz humana. É também chamado de pai ou Mãe-do-mato, Curupira e Caapora. Para os índios Guaranis, ele é o Demônio da Floresta. Às vezes é visto montando um porco do mato.
http://www.arteducação.pro.br
Questão 2. De acordo com esse texto, os pés voltados para trás da Caipora sevem para
A) atrair suas vítimas
B) despistar caçadores
C) montar um porco do mato
D) proteger as matas
D1 - Leia o texto para responder a questão a seguir:

Questão 3. O garoto da tirinha é o Calvin. Pelo texto podemos perceber que Calvin
A) é um menino muito organizado e calmo.
B) guarda sua jaqueta dentro do armário.
C) procura tranquilamente por sua jaqueta.
D) acha estranho guardar as roupas no armário
D3 - Leia o texto para responder a questão a seguir:

Questão 4. A expressão da personagem feminina - Mafalda -, no primeiro quadrinho, reforça
A) a gravidade da doença revelada no 4° quadrinho.
B) a objetividade da resposta do personagem feminino no 2° quadrinho .
C) as falas dos personagens no 3° quadrinho.
D) a preocupação da pergunta do personagem masculino no 2° quadrinho.
D3 - Leia o texto para responder a questão a seguir:
A Casa da Moeda do Brasil
Se o governo brasileiro precisa emitir dinheiro, você sabe quem se encarregará de produzi-lo? A Casa da Moeda do Brasil. Além de cédulas e moedas, ela confecciona selos e medalhas.
A Casa da Moeda foi fundada em Salvador, em 1694, por ordem do governo português, para cunhar moedas com o ouro extraído da mineração. Inicialmente, foram cunhadas somente moedas de ouro e prata, mas depois se passou a produzir moedas de cobre para pequenos valores.
[...] Ela compreende quatro repartições: o Departamento de células, o de Moedas e Medalhas, a Gráfica Geral e o Departamento de Engenharia de Produtos e o desenvolvimento de Matrizes, que é o responsável pela concepção técnica e artística dos artigos elaborados pela instituição.
O Estado de S. Paulo. 20 fev. 2007. Estadinho. (Fragmento).
Questão 5. O terceiro parágrafo do texto é iniciado pela palavra “Ela...”. Esta palavra substitui o seguinte termo
A) A Casa da Moeda. (2° parágrafo)
B) da mineração. (2° parágrafo)
C) a Gráfica Geral. (3° parágrafo)
D) concepção técnica e artística. (3° parágrafo)
D3 - Leia o texto para responder a questão a seguir:
Por que a girafa não tem voz
[...] O dia da corrida foi logo marcado. O leopardo, certo de que ia vencer, convocou todos os animais da floresta para vê-lo derrotar a grandona. Os bichos acorreram para se divertir e torcer pela derrota da girafa.
Assim que foi dada a largada, os dois saíram lado a lado, mas logo o leopardo tomou a dianteira. Corria tanto que acabou chocando-se contra uma árvore e teve de abandonar a competição.
A bicharada ficou muito decepcionada ao ver a girafa se tornar campeã.
Depois da vitória, ela ficou mais faladora ainda.
Ninguém tinha mais paciência para aguentar aquele blá-blá-blá infindável. Até que o macaco, esperto como ele só, resolveu dar um jeito na questão.
Ele tirou um bocado de resina de uma árvore e misturou-a na ramaria que a girafa costuma mastigar. Depois, escondeu-se, esperando a falastrona chegar para comer.
As folhas prenderam-se no comprido pescoço da girafa e, por mais que ela tossisse e cuspisse, ficaram grudadas em sua garganta, calando-a para sempre. Daí em diante, seus descendentes passaram a nascer sem voz.
Barbosa, Rogério Andrade. Histórias africanas para contar e recontar. SP:Editora do Brasil, 200
Questão 6. No trecho “... mais paciência para aguentar aquele blá-blá-blá infindável,” a expressão destacada
A) revela um tipo de música cantada pela girafa.
B) ressalta o falatório da girafa.
C) ratifica o grito de vitória da girafa.
D) reforça a decepção dos animais com a vitória da girafa.
D4 - Leia o texto para responder a questão abaixo:
A canícula, de Artur Xexéo
A cena aconteceu num restaurante do Flamengo. Cinco pessoas à mesa comentavam o calor que fazia lá fora – e alguém comenta alguma outra coisa ultimamente na cidade?[...]
Desde então, não penso em outra coisa. Que fim levou o ventinho que fazia parte do verão carioca? Foi sugado pelo aquecimento global? Escapou pelo buraco da camada de ozônio? Cadê aqueles tempos em que, no auge do calor, a gente ia se refrescar à beira–mar? [...]
Que fim levou o cine Metro-Copacabana? Mais precisamente, que fim levou o ar refrigerado “com clima de montanha” que tornava as matinês de quintafeira, dia em que mudava o filme em cartaz, num oásis contra a canícula?[...]
Questão 7. Considerando o tema do texto e a necessidade de um oásis (3 ° parágrafo), pode-se entender que o significado do título “A canícula” é
A) O calor muito forte.
B) A brisa refrescante.
C) A matinê de quinta-feira.
D) O aquecimento global
D4 - Leia o texto para responder a questão a seguir:
Não há dúvida que as línguas se aumentam e alteram com o tempo e as necessidades dos usos e costumes. Querer que a nossa pare no século de quinhentos é um erro igual ao de afirmar que a sua transplantação para a América não lhe inseriu riquezas novas. A este respeito a influência do povo é decisiva. Há, portanto, certos modos de dizer, locuções novas, que de força entram no domínio do estilo e ganham direito de cidade.
(MACHADO DE ASSIS. Apud Luft, Celso Pedro.Vestibular do português).
Vocabulário: Transplantação - transferir de um lugar ou contexto para outro.
Questão 8. Ao ler o texto, concluímos que
A) as mudanças do português da Europa para o Brasil evitaram inserir ao idioma riquezas novas.
B) as alterações da língua estão condicionadas às necessidades dos usos e costumes e ao tempo.
C) o português do século XVI é o mesmo de hoje, não sendo necessário parar a língua no tempo.
D) os falantes do campo usam expressões atuais da língua mesmo sem sofrerem influência européia.
D4 - (Equipe PIP). Leia o texto abaixo.
O IMPÉRIO DA VAIDADE
Você sabe por que a televisão, a publicidade, o cinema e os jornais defendem os músculos torneados, as vitaminas milagrosas, as modelos longilíneas e as academias de ginástica? Porque tudo isso dá dinheiro. Sabe por que ninguém fala do afeto e do respeito entre duas pessoas comuns, mesmo meio gordas, um pouco feias, que fazem piquenique na praia?
Porque isso não dá dinheiro para os negociantes, mas dá prazer para os participantes. O prazer é físico, independentemente do físico que se tenha: namorar, tomar milk-shake, sentir o sol na pele, carregar o filho no colo, andar descalço, ficar em casa sem fazer nada. Os melhores prazeres são de graça - a conversa com o amigo, o cheiro do jasmim, a rua vazia de madrugada -, e a humanidade sempre gostou de conviver com eles. Comer uma feijoada com os amigos, tomar uma caipirinha no sábado também é uma grande pedida. Ter um momento de prazer é compensar muitos momentos de desprazer. Relaxar, descansar, despreocupar-se, desligar-se da competição, da áspera luta pela vida - isso é prazer.
Mas vivemos num mundo onde relaxar e desligar-se se tornou um problema. O prazer gratuito, espontâneo, está cada vez mais difícil. O que importa, o que vale, é o prazer que se compra e se exibe, o que não deixa de ser um aspecto da competição. Estamos submetidos a uma cultura atroz, que quer fazer-nos infelizes, ansiosos, neuróticos. As filhas precisam ser Xuxas, as namoradas precisam ser modelos que desfilam em Paris, os homens não podem assumir sua idade.
Não vivemos a ditadura do corpo, mas seu contrário: um massacre da indústria e do comércio. Querem que sintamos culpa quando nossa silhueta fica um pouco mais gorda, não porque querem que sejamos mais saudáveis - mas porque, se não ficarmos angustiados, não faremos mais regimes, não compraremos mais produtos dietéticos, nem produtos de beleza, nem roupas e mais roupas. Precisam da nossa impotência, da nossa insegurança, da nossa angústia.
O único valor coerente que essa cultura apresenta é o narcisismo.
LEITE, Paulo Moreira. O império da vaidade. Veja, 23 ago. 1995. p. 79.
Questão 9. O autor pretende influenciar os leitores para que eles:
A) sejam mais críticos em relação ao incentivo do consumo pela mídia.
B) excluam de sua vida todas as atividade incentivadas pela mídia.
C) fiquem mais em casa e voltem a fazer os programas de antigamente.
D) evitem todos os prazeres cuja obtenção depende de dinheiro.
D6 - Leia o texto para responder a questão a seguir:
O Amazonas, com mais de um milhão e meio de quilômetros quadrados (1.500.000 km²) de belezas naturais, é o maior estado da Região Norte.
A capital do estado é Manaus, principal portão de entrada do Amazonas e que se destaca pelas inúmeras oportunidades turísticas. A cidade oferece passeios pelo Rio Amazonas e seus afluentes, pesca esportiva e hospedagem nos hotéis da selva.
Por causa da grandiosidade do Rio Amazonas e da magnífica floresta tropical, o Estado do Amazonas é um pólo do ecoturismo, isto é, o turismo voltado para a ecologia e a natureza.
A mais conhecida praia de Manaus é a da Ponta Negra onde há grande número de bares e restaurantes com comidas típicas ou não.
É possível também conhecer um pouco da fauna local no Zoológico, mantido pelo Exército Brasileiro e que abriga mais de setenta (70) espécies.
Há, ainda, o Jardim Botânico com trilhas para caminhadas e vegetação variada.
Manaus guarda, em muitos edifícios, em palácios e no Teatro Amazonas, a memória de uma época de riqueza – o Ciclo da Borracha.
Conhecer Manaus é um privilégio, e os turistas estrangeiros ficam deslumbrados com tudo o que a cidade oferece.
Revista Isto é - Férias no Brasil/4.Norte e Centro-Oeste. (adaptação)
Questão 10. O texto fala principalmente sobre:
A) a Cidade de Manaus.
B) a Região Norte.
C) o Rio Amazonas.
D) uma cidade nova.
D6 - Leia o texto abaixo e responda.
Londres, 29 de junho de 1894
Lenora, minha prima
Perdi o sono, por que será? Mamãe uma visita diferente. Depois do jantar ouvimos um barulho enorme. Eram cavalos relinchando. Alguém bateu à porta. Watson, nosso mordomo, foi abrir.
Era um homem esquisito: branco, magro, vestido de preto. Meu cão Brutus começou a latir. O homem ficou parado na porta. Disse Watson que uma roda de sua carruagem havia se quebrado. Mamãe convidou o desconhecido para entrar. Ele deu um sorriso largo, estranho.
Talvez eu estivesse com sono, mas quando ele passou diante do espelho, ele não apareceu. Mamãe ofereceu chá ao estrangeiro. Ele disso que seu nome era Drácula e que morava num lugar chama Transilvânia. E dá dormir com tudo isso? Escreve.
Edgard
Questão 11. A carta informa Lenora sobre
A) um acidente com uma carruagem.
B) uma estranha visita que seu primo recebeu.
C) um espelho que não refletia.
D) um lugar chamado Transilvânia.
D6 - Leia o texto abaixo e responda.
A bola
O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que sentira ao ganhar a sua primeira bola do pai. (...)
O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse “Legal!”. Ou o que os garotos dizem hoje em dia quando gostam do presente ou não querem magoar o velho. Depois começou a girar a bola, à procura de alguma coisa.
— Como é que liga? – perguntou.
— Como, como é que liga? Não se liga.
O garoto procurou dentro do papel de embrulho.
— Não tem manual de instrução?
O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros. Que os tempos são decididamente outros.
— Não precisa manual de instrução.
— O que é que ela faz?
— Ela não faz nada. Você é que faz coisas com ela.
— O quê?
— Controla, chuta...
— Ah, então é uma bola.
— Claro que é uma bola.
— Uma bola, bola. Uma bola mesmo.
— Você pensou que fosse o quê?
— Nada não...
(Luis Fernando Veríssimo – Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001,pp. 41-42.)
Questão 12. O tema do texto está presente em
A) O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros.
B) Lembrando o prazer que sentira ao ganhar a sua primeira bola do pai.
C) O garoto agradeceu, desembrulhou a bola...
D) O garoto procurou dentro do papel de embrulho.
D14 - (SAERS). Leia o texto abaixo.

Questão 13. Na última fala, o ponto de interrogação sugere
A) admiração.
B) desprezo.
C) indignação.
D) medo.
D14 - Leia o texto para responder a questão a seguir:
Sai o primeiro condomínio com energia eólica
O primeiro empreendimento imobiliário com produção de energia eólica no Brasil é residencial e será lançado este mês, em Florianópolis. O projeto, batizado de Neo, prevê a instalação de duas turbinas de vento, uma em cada torre. Elas farão o aquecimento de toda a água que será consumida pelos 24 apartamentos do condomínio, cuja entrega está prevista para março de 2012.
[...]
“A tecnologia será capaz de produzir 100% da energia que será usada no condomínio, que não utilizará nenhum tipo de combustível fóssil. Hoje, apenas o aquecimento da água representa 50% do gasto com energia nas regiões Sul e Sudeste”, diz Suchodolski. [...]
Ainda segundo Suchodolski, o empreendimento terá outros dispositivos sustentáveis, como uma estação de tratamento de esgoto, com direito a uma cisterna específica para água a ser reutilizada, destinada, por exemplo, à irrigação das áreas verdes. Dessa forma, completa ele, o consumo será reduzido em 50%: “Além disso, o condomínio usará madeira de reflorestamento certificada, tintas e vernizes à base de água.”
http://www.zap.com.br/revista/imoveis/condominio
Questão 14. O condomínio a ser construído tem a finalidade de
A) divulgar uma nova tecnologia.
B) conter a expansão imobiliária na região.
C) preservar o meio ambiente.
D) diminuir o alto consumo de energia.
D14 - Leia o texto para responder a questão a seguir:
Bom tempo, sem tempo
Não chovia, meses a fio. Ou chovia demais. As plantas secavam, os animais morriam, os moradores emigravam. As plantas submergiam, os animais morriam, as pessoas não tinham tempo de emigrar. Assim era a vida naquele lugar privilegiado, onde medrava tudo para todos, havendo bom tempo. Mas não havia bom tempo. Havia o exagero dos elementos.
O mágico chegou para reorganizar a vida, e mandou que as chuvas cessassem.
Cessaram. Ordenou que a seca findasse. Findou. Sobreveio um tempo temperado, ameno, bom para tudo, e os moradores estranharam. Assim também não é possível, diziam.
Podemos fazer tantas coisas boas ao mesmo tempo que não há tempo para fazê-las. Antes, quando estiava ou chovia um pouco - isto é, no intervalo das grandes enchentes ou das grandes secas -, a gente aproveitava para fazer alguma coisa. Se o sol abrasava, podíamos fugir. Se a água vinha em catadupa, os que escapavam tinham o que contar. Quem voltasse do êxodo vinha de alma nova. Quem sobrevivesse à enchente era proclamado herói. Mas agora, tudo normal, como aproveitar tantas condições estupendas, se não temos capacidade para isto?
Queriam linchar o mágico, mas ele fugiu a toda.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. São Paulo, Record: 2006.
Glossário
Catadupa – cachoeira
Êxodo – emigração de todo um povo ou saída de pessoas em massa.
Questão 15. O fato que motiva a história é
A) a chegada do mágico.
B) a falta de chuva.
C) a chuva muito frequente.
D) o mágico fugir correndo.
Gabarito
O D1 se refere à habilidade de encontrar informações que estão claramente escritas no texto, sem necessidade de interpretação ou inferência. São dados como nomes, datas, locais e fatos diretos que podem ser extraídos apenas com a leitura atenta.
Ele é essencial porque é a base para qualquer compreensão textual. Antes de interpretar ou criticar um texto, é preciso garantir que as informações explícitas foram corretamente identificadas. Isso evita equívocos e permite uma análise mais precisa do conteúdo.
Se eu estiver lendo um artigo sobre um evento esportivo que diz: "A final do campeonato será no dia 15 de julho, no Estádio Municipal, às 17h."
Aplicar o D1 significa responder corretamente perguntas como:
Quando será a final? → Dia 15 de julho.
Onde será? → No Estádio Municipal.
Que horas? → Às 17h.
"O zoológico da cidade abrirá um novo espaço para animais resgatados da natureza. Segundo a administração, a inauguração será no próximo sábado, às 10h, com entrada gratuita para os visitantes."
Quando será a inauguração?
Às vezes, a dificuldade pode estar na distração durante a leitura ou na presença de muitas informações no texto, o que pode fazer com que detalhes importantes passem despercebidos
Pdro Zílio 9A D1