PAAEB - 3º ano EM
Sejam bem-vindos a mais uma aula do nosso curso preparatório. Hoje, vamos mergulhar no universo das marcas linguísticas e aprender a identificar como elas nos revelam informações cruciais sobre o locutor e o interlocutor de um texto. Dominar essa habilidade, contemplada no descritor D13, é fundamental para a interpretação textual e, consequentemente, para o sucesso nas avaliações.
O que são Marcas Linguísticas?
Imagine um texto como um palco onde o locutor (quem fala) e o interlocutor (com quem se fala) interagem. As marcas linguísticas são os elementos presentes nesse texto que nos dão pistas sobre as características desses atores. Elas são as escolhas que o autor faz no uso da língua, revelando sua intenção, seu posicionamento e a imagem que ele constrói de si mesmo e do seu público.
Identificando o Locutor:
Para identificar as marcas que evidenciam o locutor, devemos observar:
• Nível de Formalidade: O autor utiliza uma linguagem formal, com norma culta rigorosa, ou informal, com gírias, expressões coloquiais e contrações? Essa escolha revela o grau de instrução, a familiaridade com o assunto e a intenção comunicativa. Por exemplo, um artigo científico exige formalidade, enquanto uma conversa em uma rede social permite informalidade.
• Marcas de Pessoalidade: O uso de pronomes pessoais (eu, nós), verbos na primeira pessoa e expressões como "na minha opinião" ou "acredito que" evidenciam a presença do locutor e seu ponto de vista. A ausência dessas marcas pode indicar uma maior objetividade ou impessoalidade.
• Vocabulário e Estilo: A escolha de palavras técnicas, jargões, estrangeirismos ou expressões regionais demonstra o domínio de um determinado campo de conhecimento ou a identificação com um grupo específico. O estilo pode ser mais conciso, prolixo, irônico, humorístico, entre outros, revelando traços da personalidade do autor.
• Tom e Modalização: O tom da mensagem pode ser assertivo, duvidoso, crítico, elogioso, etc. A modalização, expressa por advérbios de modo (talvez, certamente), verbos modais (poder, dever) e expressões como "é possível que", indica o grau de certeza ou possibilidade que o locutor atribui à sua mensagem.
dentificando o Interlocutor:
As marcas que evidenciam o interlocutor estão relacionadas à forma como o locutor se dirige a ele:
• Vocativo: O uso de vocativos (ex: "caros leitores", "amigos") explicita a quem o texto se destina e estabelece uma relação de proximidade ou distanciamento.
• Tratamento: O uso de pronomes de tratamento (você, senhor, senhora) e formas verbais correspondentes indicam o grau de formalidade e respeito entre locutor e interlocutor.
• Adaptação da Linguagem: O locutor adapta sua linguagem ao nível de conhecimento e ao perfil do interlocutor. Um texto para crianças terá uma linguagem mais simples e lúdica do que um texto acadêmico.
• Pressupostos e Subentendidos: O locutor considera o conhecimento prévio do interlocutor ao utilizar pressupostos (informações implícitas) e subentendidos (insinuações). A presença desses elementos indica uma maior familiaridade entre os interlocutores.
Analisemos o seguinte trecho:
"Galera, saca só essa parada! O negócio é o seguinte: a gente precisa urgentemente dar um gás nos estudos pra garantir a aprovação no Enem. Se liga, não dá pra moscar! Bora botar pra quebrar!"
Nesse exemplo, podemos identificar:
• Locutor: Utiliza linguagem informal ("galera", "saca só", "dar um gás", "botar pra quebrar"), demonstrando proximidade com o interlocutor e um tom descontraído. O uso de "a gente" reforça a inclusão.
• Interlocutor: É presumivelmente um grupo de jovens estudantes, provavelmente amigos ou colegas, com quem o locutor compartilha uma linguagem informal e um objetivo comum: a aprovação no Enem.
A habilidade de identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor amplia nossa compreensão dos textos, permitindo-nos interpretar as mensagens de forma mais completa e crítica. Ao analisar as escolhas linguísticas do autor, podemos desvendar suas intenções, seu posicionamento e a imagem que ele constrói da situação comunicativa. Lembrem-se: a prática leva à perfeição. Analisem diversos textos, atentando para as nuances da linguagem, e vocês se tornarão verdadeiros experts na identificação de locutor e interlocutor.
PRATIQUE!
O Impacto das Redes Sociais na Saúde Mental dos Jovens
(Texto adaptado de um artigo publicado na revista "Mente Saudável")
Nos últimos anos, as redes sociais se tornaram onipresentes na vida dos jovens. Plataformas como Instagram, TikTok e Twitter oferecem um espaço virtual para interação social, compartilhamento de experiências e acesso a informações. Contudo, essa aparente conexão digital também levanta preocupações crescentes sobre o impacto na saúde mental dessa parcela da população.
Estudos recentes têm demonstrado uma correlação entre o uso excessivo das redes sociais e o aumento de casos de ansiedade, depressão e baixa autoestima entre os jovens. A constante exposição a conteúdos idealizados, a busca incessante por curtidas e comentários, e a comparação com os outros podem gerar sentimentos de inadequação e inferioridade. Como apontam especialistas, a cultura da perfeição propagada nas redes pode criar expectativas irreais e prejudicar a autoimagem dos adolescentes.
Além disso, o cyberbullying, uma forma de agressão virtual que se manifesta por meio de insultos, ameaças e difamações online, tem se tornado uma realidade alarmante. As consequências para as vítimas podem ser devastadoras, levando a quadros de depressão, ansiedade social e até mesmo ideações suicidas. Nesse contexto, é crucial que pais, educadores e a sociedade como um todo estejam atentos aos sinais de sofrimento dos jovens e promovam um ambiente digital mais seguro e acolhedor.
É inegável que as redes sociais oferecem benefícios, como a possibilidade de manter contato com amigos e familiares, participar de comunidades com interesses em comum e acessar conteúdos educativos. No entanto, é fundamental que os jovens aprendam a utilizar essas ferramentas de forma consciente e equilibrada, buscando o bem-estar mental e priorizando as relações interpessoais no mundo real. Afinal, a vida, em sua plenitude, se manifesta muito além das telas.
Questão 1. No trecho "Como apontam especialistas, a cultura da perfeição propagada nas redes pode criar expectativas irreais e prejudicar a autoimagem dos adolescentes", a expressão "Como apontam especialistas" evidencia uma marca linguística do locutor que indica:
a) Informalidade e proximidade com o interlocutor.
b) Subjetividade e opinião pessoal.
c) Impessoalidade e busca por objetividade.
d) Ironia e distanciamento do tema.
e) Dúvida e incerteza sobre o assunto.
Questão 2. A principal finalidade do texto é:
a) Narrar uma história sobre o uso das redes sociais.
b) Descrever as funcionalidades das redes sociais.
c) Informar e alertar sobre os possíveis impactos negativos das redes sociais na saúde mental dos jovens.
d) Criticar o avanço da tecnologia e o uso da internet.
e) Incentivar o uso das redes sociais como ferramenta educacional.
Questão 3. A quem se destina prioritariamente o texto?
a) Aos especialistas em tecnologia.
b) Aos pais e educadores.
c) Aos jovens usuários de redes sociais e à sociedade em geral.
d) Aos donos de plataformas de redes sociais.
e) Aos profissionais de marketing digital.
Questão 4. A linguagem utilizada no texto caracteriza-se por:
a) Gírias e expressões informais.
b) Linguagem técnica e jargões da área da saúde mental.
c) Formalidade e objetividade, com foco na norma culta da língua.
d) Subjetividade e expressividade poética.
e) Humor e ironia.
Questão 5. A expressão "A vida, em sua plenitude, se manifesta muito além das telas" presente no último parágrafo, busca:
a) Minimizar a importância das redes sociais.
b) Reforçar a necessidade de priorizar as experiências no mundo real.
c) Incentivar o uso moderado das redes sociais.
d) Criticar o isolamento provocado pela tecnologia.
e) Apresentar uma solução definitiva para os problemas causados pelas redes sociais.
VOLTAR GABARITO